QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DA GC PARA ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE?

Os processos e os sistemas de prestação de serviços de saúde correm o risco de falhar na prevenção e podem, direta ou indiretamente, causar sofrimento e, em alguns casos, a morte de pacientes. Por isso, cresce a cada dia o interesse pela gestão do conhecimento em organizações de saúde.

O processo de prestação de serviços de saúde começa quando a organização de saúde coleta dados e informações sobre o paciente (dados pessoais, método de pagamento, histórico de doenças e tratamentos e dados básicos). Em seguida, a instituição reúne e armazena os dados do paciente em um banco de dados. Na sequência, sistemas de apoio à decisão processam as informações; os registros do paciente são atualizados e a informação chega ao conhecimento do médico. Então, os profissionais de saúde fazem o diagnóstico e definem o tratamento e os registros do paciente são atualizados. Finalmente, o paciente recebe a medicação (quando necessária), agenda a consulta de acompanhamento do tratamento (quando necessário) e a forma de pagamento é definida.

Como se pode observar, trata-se de uma área intensa em conhecimento. Por isso, a gestão do conhecimento pode trazer diversos benefícios para organizações de saúde. O primeiro benefício é a excelência operacional, isto é, quando a organização de saúde utiliza o melhor conhecimento disponível ela presta o melhor tratamento ao paciente. A redução de custos é o outro benefício. Quando a organização usa o melhor conhecimento disponível no processo de atendimento ao paciente ela torna tal processo mais eficiente e, assim, consegue reduzir custos. Práticas de GC que criam ambientes de trabalho colaborativos tornam a comunicação mais eficaz e, dessa forma, os profissionais de saúde respondem melhor às dúvidas dos pacientes.

A decorrência natural do uso do melhor conhecimento disponível é a obtenção de melhores resultados para os pacientes. Dessa forma, a organização de saúde consegue responder melhor às necessidades e expectativas dos usuários que ela atende.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) é um bom exemplo de organização pública de saúde que se beneficiou com a implementação de iniciativa de gestão da informação e do conhecimento: o prontuário eletrônico do paciente. O Conselho Federal de medicina define prontuário médico como “o documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada”.

O HCPA iniciou a implementação do sistema informatizado com os prontuários eletrônicos dos pacientes em 2002. Em 2006, quando o hospital foi o 3º colocado no 10º Concurso Inovação na Gestão Pública Federal da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o sistema já contava com as seguintes funcionalidades: 1) o registro de anamnese (história clínica), de diagnósticos previstos no Código Internacional de Doenças, de medicamentos em uso; 2) a consulta direta ao histórico do paciente a resultados de exames, a cirurgias e procedimentos diagnóstico e a internações prévias; 3) a elaboração de receitas médicas, atestados, relatórios médicos e laudos de internação; 4) o envio direto dos registros das consultas  ao prontuário online (POL); 5) o acompanhamento remoto, pelos professores, das consultas realizadas pelos médicos em treinamento sob sua supervisão, entre outros.

Os benefícios obtidos com o sistema informatizado foram: 1) melhoria da qualidade do registro em termos de completude, legibilidade, autoria,  padronização e número de diagnósticos informados; 2) a segurança dos dados que é garantida por backups e por um plano de contingência; 3) a proteção à privacidade do paciente (sigilo das informações) que foi assegurada pela definição de perfis de acesso, usernames e senhas; e 4) disponibilidade dos dados que são distribuídos automática e imediatamente a múltiplos usuários simultâneos.

A implementação do sistema informatizado trouxe uma melhoria importante da gestão ambulatorial: a produtividade do ambulatório cresceu; o número de consultas realizadas teve aumento de 5,7%; a taxa de ociosidade do ambulatório foi reduzida de 50,3% para 47%; e dados antes subnotificados como os de ocorrência de infecção cirúrgica, que se manifesta normalmente após a alta, passaram a ser mais fielmente captados.

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